27/10/14

Viagem à África - parte 3

Esse já é o terceiro post sobre a viagem à África, caso você não tenha lido o anterior é só clicar aqui, e como já disse nos anteriores, isso é a transcrição do meu diário de bordo.

DIA 28/12/2011

Hoje de manhã fomos andar em uma canoa que se chama mocoro. Atravessamos a lagoa pelos arredores e começamos uma caminhada em uma área que até então não conhecíamos e que deveria ser longa, porém passaram um rádio para o Bate dizendo que o leopardo estava por alí, e por mais que Bate estivesse com uma espingarda, não queríamos machucar nenhum animal, então tivemos que voltar e não vimos nada de novo além dos jacarés na lagoa.



Entrando no mocoro caí de cara na lama e não sei nem como salvei a máquina, mas sei que meu reflexo pra levantar foi bem rápido pelo medo dos bichos dalí.

Chegando no camp, logo saímos para o game drive em busca do leopardo mas não achamos, de novo. Em compensação, vimos mais uma vez os baby leões, e também baby elefantes.



Só deu tempo de almoçar, dar umas camisetas e fazer umas comprinhas na loja do camp antes de termos que ir pro aviãozinho de novo.

Estava chovendo muito forte e deu um medinho, mas o pior foi se despedir do Titi e do Bait (descobri  que o nome dele se escreve assim).

Quando chegamos no Lagoon Camp ficamos surpreendidos com o conforto; não era como uma cabana igual o Kwara, era (é) bem mais sofisticado, mas as pessoas não chegam nem aos pés do Kwara em questão de simpatia.

Briguei com meu pai e com meu irmão porque são dois pentelhos e tudo que acontece de ruim eles põe a culpa em mim (tipo meu pai ter trazido só um par de tênis... até porque isso tem tudo a ver comigo) e tudo que acontece de bom eles assumem (por exemplo eu que dei a ideia de vir pra cá e meu pai diz que foi ele) e então me neguei a sair com eles hoje.

O cara só sabe me xingar e ainda acha estranho eu não querer sair junto. Ainda quis colocar medo falando que os espíritos iam vir me pegar, que tinha visto escorpiões no banheiro, etc... hahaha... deve estar me confundindo com meu irmão. Até chantagem de que se eu não fosse eu não iria pro intercâmbio ele fez... ô medo...

No fim, fiquei no chalé lendo sozinha; já estou zicada de ter saído do Kwara mesmo...

Obs: me deu um medonho quando eu lembrei do Titi ontem, fazendo uma macumba estranha; mas acho que não foi pra mim nem pro meu pai, até porque eles ficaram brothers discutindo a dificuldade da maconha pra chegar até aqui, apesar de chegar.

...

Meu irmão e meu pai voltaram e me contaram o que aconteceu:

"Primeiro a gente conversou com o David e a mulher, um casal de nova iorquinos, e depois saímos para o game drive com os novos guias, que nos mostraram o bluebush, um mato que os nativos ficam mastigando porque faz bem pros dentes e minha boca ficou toda laranja. O dia estava meio sem graça mas  quando nos aproximamos de um vale lotado de elefantes, um dos filhotes saiu correndo muito rápido e o maior elefante da manada achou que tínhamos feito algo com ele e começou a 'gritar' e correr na nossa direção junto com outros dois. O motorista achou que o barulho do motor daria medo neles mas não adiantou e tivemos que sair no pinote para não sermos atacados. O mais engraçado foi o tracker, James, que apavorou!" - Nicolas.

Meu irmão falou mais umas coisas mas muito chatas, então nem vou escrever. O que achei interessante é que o elefante só surrou assim porque eles já tinham passado a fronteira com a Namibia, onde é permitida a caça aos elefantes, e sabendo disso os animais ficam mais agressivos.



DIA 30/12/2011

Ontem eu não escrevi mas nem foi tão legal; foi um dia normal com pescaria de tarde. Pesquei um peixe de uns 8cm e só. Odeio pescar, na verdade.

De noite conversei com um cara da Califórnia e um de uma tribo de Botswana mesmo, que me ensinou várias coisas e com quem fiquei falando sobre o ensino aqui. 

Fomos deitar e as instalações que pareciam confortáveis eram mal projetadas e choveu na gente.

Hoje de manhã fomos até metade do caminho para Lebala com os guias do Lagoon e a outra metade com os caras do novo camp. Essa segunda parte teve um astral muito diferente (melhor!!).

De tarde, depois do brunch, no qual meu pai ficou entrosando com uma família de americanos de Connecticut, choveu muito e decidimos não sair, ficamos no camp, o qual é confortável, bem estruturado e as pessoas são demais.

Aprendemos jogos típicos daqui com todo o staff, incluindo nosso guia, Speedy, e nosso tracker, Play, muito sangue bom. Lógico que então eu briguei com os lindões papai e irmãozinho de novo e fiquei no quarto, onde o Speedy veio me trazer sopa - a comida daqui é muito boa, UFA!

Vimos no caminho pro quarto um camaleão, e até deu pra ver ele mudando de cor quando desceu da árvore pro chão. Achei lindo, ao contrário dos sapos de estimação que eles têm no saguão e que quase enfartei quando vi. ODEIO SAPOS!

Me apaixonei por um suco de maçã daqui que tem em todos os camps que ficamos e não sei como vou fazer sem.

Ah, e fui matar um mosquito na quina do móvel e acho que quebrei a mão porque está roxa e inchada, mas okay.

Mais tarde...

Nos ensinaram como fazer um jogo tipo pião e um jogo de tabuleiro com pedras que a gente apelidou de Ziper Game já que o nome é muito difícil, e conhecemos um inglês que mora no Canadá que veio dar palestra na África do Sul sobre uma tese de melhora na saúde com uma luz em contato com a pele..... tá, vou parar de tentar explicar um negócio que nem eu entendi direito mas achei legal... vamos ver amanhã...

PS: Vi um beija-flor fosforescente vermelho que até agora me pergunto se foi sonho ou realidade.

  


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24/10/14

Viagem à África - parte 2

Oii, esse post é o segundo da minha viagem à África (se você não leu o primeiro é só clicar aqui).

Ele foi transcrito exatamente como foi escrito no meu diário de bordo e esse “capítulo” se passou em Botswana.


DIA 27/12/2011

Ficamos a manhã quase inteira procurando leopardos, mas ao invés de achá-los, achamos vários vales com empalas, zebras e um bicho que em inglês se chama wildbeast e em português não sei. Muitos outros bichos também mas principalmente esses.



A família inglesa do Camp foi embora hoje (pareciam caricaturas) e ao ver o aviãozinho que eles foram embora, o mesmo com o qual viemos, não tive dúvida: é isso que eu quero ser quando crescer.



Procurei pedras porque meu avô e minha amiga me pediram mas pelo menos até agora não tem pedras, só areia, terra e mato.

A quantidade de borboletas é inexplicável. Quando a gente passa com o carro pelo mato elas saem voando e formam uma nuvem! Em maioria são pequenas e brancas.

Meu pai está sem fumar desde o natal, e como ele fica chato em abstinência eu briguei com ele. Ele propôs que eu ficasse de bem com ele se ele me desse uma borboleta e eu aceitei, mas quando ele pegou, matou ela (esmagou) sem querer. Ficamos de bem mesmo assim.

Desistimos do leopardo e fomos em busca de girafas porque não tínhamos visto muitas e eu AMO girafas. Não achamos muitas a princípio, mas de repente achamos uma clareira com umas sete juntas, correndo, e quando chegamos perto pararam tipo pose pra foto.

Voltamos pro camp cantando Waka Waka da Shakira com o Titi e o Bate, que me ensinou a falar algumas coisas na língua nativa daqui:

KE A GO RATA (eu te amo)
DUMELANG (oi)
A GONA MATTHATA (sem problemas)
A GONA KUTOBUTUOKO (sem tristeza)

Ensinei algumas coisas em português pra eles também e enfim, foi demais… agora estamos em “rest time” e mais tarde sairemos para boat ride ou game drive de novo, não sei…

Descobri que a água daqui, pela grande quantidade de minerais, tem gosto e cheiro de sangue, o que é bem similar ao de ferrugem, e que todas as vezes que procurei um corte durante o banho, na verdade o cheiro vinha da água.

Ah, e aqui chamam a seleção brasileira de “the Samba Boys”, e o Bate sempre torce pra nós nas Copas do Mundo. Ele disse que quer muito conhecer o Brasil e mais tarde, quando ele buscar o iPod pra mostrar umas músicas daqui, também vai pegar o computador pra salvar nosso contato e nos vermos quando ele for pra lá. Eu achando que aqui todo mundo morria de fome e eles falando de iPod e computador…

Obs: Essa noite, quando eu achei que o barulho era um elefante, na verdade era um leão que rugiu a noite toda.

Obs2: Ontem comemos um tipo de jamburão daqui, só que menor, e acho que se chama waterberry… NÃO COMA NUNCA!


De tarde…



Depois do descanso fomos fazer o game drive; foi legal, vimos águias e tal e aí, do nada, um guepardo!!! Ficamos uns 20 minutos a no máximo 5 metros do cheetah. Ia começar uma tempestade, então fomos voltando. No caminho encontramos 2 leoas e 2 baby leões.




Eles brincavam entre eles e chegaram a 2 metros de nós, como se estivessem chamando pra brincar, e eu até pensei em descer do carro mas em 30 segundos a mãe viria e me rasgaria, então achei melhor não, mas ainda quero um pra mim!

A tempestade foi forte e quando chegamos no camp ficamos vendo as fotos que todos tiraram, e as dos holandeses (muito legais) foram as melhores. Tinha uma de um baby elefante jogando água com a tromba que deu inveja de não ter visto.


O astral daqui (Kwara camp) é tão bom que poderíamos ficar aqui pro resto da viagem; não sei se é o guia, o lugar, as pessoas ou tudo junto.

Era pra estarmos no Little Kwara mas deu algum problema nos planos e ficamos aqui - QUE ÓTIMO!

Amanhã de manhã vamos fazer um passeio em um tipo de uma canoa que se chama Mocoro, ás 5h30 da manhã.

Eu AMEI aqui e quero muito voltar!


Obs: Hoje vimos vários javalis iguais ao Pumba, talvez pra combinar com o Simba e a Nala que vimos brincando…

Obs2: Durante o jantar vi um tipo de rato passando pelo telhado e quase vomitei D:

Xoxo da África.


Quero saber o que acharam e o que esperam para os próximos capítulos.


Layla


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23/10/14

Doce ou travessuras?

Oi gente...
Como esse mês é o mês do Halloween eu decidi contar um pouco da minha experiência no ano passado.
Para quem não sabe, eu morava na Florida e meu Halloween foi na casa de uma das minhas melhores Alexandra(Lele ) e uma outra parte na casa de uma outra amiga, Gesi.
Foi muito engraçado e tipicamente americano. Particularmente amei! Usei duas fantasias.
No dia do Halloween eu fui para a casa da Lele junto com algumas amigas. Me fantasiei de pirata nesse primeiro dia.
Ficamos distribuindo doces e depois de um certo horário fomos pegar os nossos.
Voltamos com algumas sacolas e foi muito legal ir de casa em casa como nos filmes.
Todas as casas mega decoradas como se fosse uma competição(na verdade eu acho que era). Andamos kilometros, rimos e tomamos sustos a noite toda.
Confesso que em uma certa parte bateu um medo de alguns inquilinos que brincavam de abrir a porta dando sustos e saímos correndo apavoradas, mas quando chegamos em casa as risadas foram garantidas.
Os doces eram de super qualidade e isso até me surpreendeu.
Algumas fotos:








No dia seguinte, eu fui para Orlando que fica a alguns kilometros de onde eu morava.
O Halloween de Orlando, digamos que seja mais adulto. Não tem essa tradição de doces e etc(pelo menos onde eu fui.)
É algo com muitas festas em boates e milhares de pessoas nas ruas caracterizada de tudo o que você imaginar(algumas praticamente peladas. É sério!).
Me fantasiei de Minnie.






Resumindo: Foi uma experiência incrível! As minhas companhias ajudaram com certeza, minhas amigas são ilárias, mas creio que é impossível não amar esse feriado.
Adoraria que no Brasil tivéssemos esse costume pois seria praticamente um segundo carnaval(coisa que a gente ama né?!).
Enfim.. Bateu até uma saudade(coisa que acontece diariamente). São tantas histórias desse Halloween que não daria para contar detalhadamente aqui, mas se vocês se interessarem em saber mais, fale aqui nos comentários que eu posso postar algumas.

Beijos com muito amor
Larissa
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20/10/14

Viagem à África - parte 1

Galera, já prometi isso há um tempo mas sempre esqueço e decidi fazer; vou contar pra vocês da minha viagem para a África, na qual felizmente eu fiz um diário de bordo e portanto não vou esquecer de nada, apenas transcrever.


DIA 26/12/2011

Chegamos ontem no Kwando Safari Kwara Camp. Começando, ficamos sei lá quantas horas no avião até que entramos no continente africano, eu olhei pela janela e havia um deserto imenso com algumas lagoas no meio. Era a Namíbia. 

A seguir veio a África do Sul, que daquele ponto de vista parecia um quebra-cabeças. Os “terrenos” eram delimitados como se tivessem sido recortados em formas geométricas perfeitas (círculos que encaixavam em triângulos - não sei como até agora!). Depois vim a descobrir que esses “terrenos” eram as savanas e tinham essas divisões naturalmente.

E de repente uma cidade gigantesca apareceu: Johannesburg.

No aeroporto, todos eram excepcionalmente gentis e alegres, mesmo trabalhando no dia do natal (na verdade levaram pelo lado bom e muitos estavam fantasiados de Papai Noel). 

Pegamos um avião um pouco menor, fomos para Maun, a quarta maior cidade de Botswana, e não pude deixar de notar que o aeroporto era menor que minha escola. O banco para câmbio era na beira da estrada de terra, onde vários vendedores de artesanato que nem falavam inglês nos rodearam.

Meu pai ficou bravo comigo porque dei 3 camisetas para uns caras que nem conhecemos direito, mas dá muita dó do quanto tudo alí é precário. 

Dalí, pegamos um avião monomotor para o alojamento que estamos agora; a pilota que eu não lembro o nome era da Nova Zelândia e veio pra cá experimentar outro tipo de vida (pilota de monomotor por cima das savanas africanas, ou seja, meu sonho!).


O primeiro elefante que vimos do avião foi tipo “Ó!”, mas aí, mais foram aparecendo, até que vimos uma fila de uns 25 e achamos normal. Lá de cima os bichos pareciam pecinhas de brinquedo de criança.

Apesar de eu ter ido na frente com a mulher, quando começou a chover, meu pai que tem medo de altura começou a passar mal e eu não sabia se ria dele ou olhava pro visual.

Logo aterrizamos e um Jeep com 2 caras nos esperava. Descansamos na cabana - que não tem nada de cabana além de ser isolada apesar de ser chamada por esse nome - e mais tarde saímos com nossos guias oficiais, Bate e Titi (que não fecha a boca nem quando está quieto de tão beiçudo - não é exagero! -, sempre com os dentes a mostra mas muito gente boa), para fazer o “game drive” (o nome dado ao passeio de Jeep para ver os animais). 


De cara vimos 4 leões, e então zebras, girafas, babuínos e muito mais. Parece ridículo já que já vimos tudo isso em zoológico mas é muito diferente ver eles na natureza.

Passamos o fim de tarde em frente a uma lagoa, no esquema montado pelos guias com comidas típicas e etc… foi muito bom e apesar da vista e das empalas e zebras que nos rodeavam, o ponto negativo foi o frio, mas cobertores ajudaram.

Na volta tivemos um jantar de natal onde conhecemos toda a galera hospedada no camp, que são muito legais mas não tem nenhuma criança e nem adolescente.

Dormimos e hoje, umas 5am fui acordada por Bate batendo na porta. Fui como uma zumbi tomar café, que era envolta de uma fogueira, em frente a lagoa, lotada de hipopótamos. O mais legal foi ver os babuínos tentando roubar muffins.


De Jeep fomos até um rio, que de barco navegamos e vimos muitos bichos, especialmente pássaros. Na hora da pesca meu irmão e Bate pescaram um cada, Titi pescou 3, eu nada e meu pai passou mal e nem tentou.

Chegamos a uma ilha para onde vão todos os pássaros no verão para que os filhotes cresçam e no verão irem para a Europa. É incrível a quantidade deles, ocupando todas as árvores com inúmeros ninhos.


Voltamos para as cabanas, almoçamos (a comida daqui não é muito boa, não), tomamos banho e dormimos. Acordei com uma garrafada na cara (proveniente da delicadeza da minha família para com uns aos outros) e um calor inexplicável. Deu tempo de uma ducha e fomos para o game drive da tarde, mas dessa vez com duas outras pessoas (Veena e Vené), um casal de indianos de Washington.

Encontramos ossos, que eu curiosa pulei do carro pra ir mexer e segundo os guias eram de elefante, e vimos apenas dois Baubabs (uma espécie de árvore de tronco muito largo e alto e galhos curtos e finos, típico dos filmes da África e que retém muita água e nutrientes, o que justifica os elefantes a buscarem pela madeira úmida e macia - eles a comem e a espécie vai em rumo a extinção).

Agora estou no Jeep olhando para um grupo de 4 elefantes a 8m de mim.





Antes de ir jantar fomos comer e beber em um lago com hipopótamos durante o por-do-sol. Nesse pit-stop do game drive meu pai bebeu alguns gin tonics e ficou bêbado, o que foi a felicidade da volta para mim e meu irmão que não paramos de rir o caminho inteiro com as palhaçadas dele, incluindo pum na frente dos indianos que quase não acreditaram e xixi de cima do Jeep.

Ah, não posso esquecer de mencionar que topamos com dois leões na estrada e meu pai naquele estado começou a surtar e dizer que iam nos atacar aos gritos.


De noite…

Tivemos um “show" de música típica africanas que os funcionários nos proporcionaram, e a comida típica estava até boa dessa vez - menos um bloco branco sei lá de quê.

O que eu tenho a dizer é: se você vier à África, traga seu próprio xampu porque o daqui é uma b*sta.

Agora estou deitada escutando o barulho de um javali embaixo da nossa cabana, um elefante ao longe e uma sinfonia de grilos, sapos e cigarras do lago da frente. Ah, e a infeliz da mariposa que está me rondando.

Bom, hoje Bate me ensinou a fazer um colar com a flor vitória régia, que ele fazia para as meninas quando era adolescente, e a diferenciar Vênus e Marte das estrelas e deles mesmos. Também me ensinou alguns cumprimentos daqui e da Nigéria mas não vou saber escrever.

É isso aí, amanhã vamos começar o dia com game drive e eu vou contanto o que acontece.

See you later :)


Nossa! Por mais que pareça simples pra quem lê, me dá lágrimas nos olhos de lembrar tudo isso.

Transcrevi tudo como estava escrito no diário de bordo e se algo não foi claro, por favor, é só perguntar nos comentários. Cada post que eu fizer vai ser de um “dia” no diário, ou pelo menos de um dia que eu escrevi, mesmo que nele eu tenha contado de outros dias.

Até o próximo capítulo, que pessoalmente eu acho que fica mais divertido.

Beijos

Layla.


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15/10/14

A mudança vem de dentro

Esse fim de semana tive a infelicidade de rever conhecidas que não me despertam nada de positivo, e durante uma conversa uma perguntou pra outra de onde era tal coisa que ela estava usando; ao receber a resposta perguntou "mas você comprou ou pegou?". Confesso que demorei pra entender e tampouco me calei quando percebi que o assunto sendo posto em pauta com tanta naturalidade era um furto.

Apesar da companhia não me agradar nada, existem momentos em que não podemos sair andando e tive que me conter ali, na minha, esperando futuros tópicos diferentes de "em tal loja quase fui pega", "ah, naquela é super fácil de roubar anéis, é só colocar no dedo e sair porque o sensor não capta"...

Ironicamente, o próximo assunto foi sobre a corrupção de políticos. OI?????????

É! A pessoa que há 5 minutos falou em roubar como se fosse normal quis questionar escândalos políticos e julgar falta de ética. Confesso que comecei a rir, aliás até tomei uma bronca da amiga que estava comigo que apesar de concordar com minha opinião achou melhor a gente não falar mais nada.

Voltei pra casa e fiquei pensando na palhaçada hipócrita que tive que ouvir, e lembrando de um ditado popular francês que meu pai sempre me falou: "quem rouba um ovo, rouba um boi".

Será que essas pessoas não percebem que o erro delas é tão repugnante quanto qualquer transferência de dinheiro que qualquer político tenha feito? Será que nem elas percebem que é gente como elas que com o poder em mãos fazem esse tipo de coisa que vira manchete de jornais?

Que falta de coerência!

A sociedade precisa entender que enquanto se queimar farol vermelho, beneficiar um amigo com um cargo profissional por motivos pessoais, pegar chiclete sem pagar na banquinha, usar o telefone da empresa pra ligar pro namorado ou qualquer coisa do gênero, nada vai mudar.

A mudança começa dentro de cada um e ver o povo fazendo coisa errada e exigindo mudança da parte do governo é tão ridículo quanto um fumante falando pra você não fumar, porque faz mal.

Toda vez que entro no assunto com alguém, tentam me convencer de que em algumas situações são mais ou menos aceitáveis que outras, mas me desculpa, caráter se tem, ou não se tem. Não existe meio caráter.

Realmente, são princípios que deveriam ser implantados na educação acadêmica e social de cada um, mas até determinado ponto é questão de bom-senso.

Não estou dizendo que nunca joguei chiclete na rua ou colei na prova, mas que não saio por aí apontando o dedo na cara dos outros sem plena consciência de que me esforço pra ser uma pessoa correta e de que para que haja uma mudança geral, ela deve começar dentro de cada um.

Acho que é hora, principalmente na situação em que o Brasil se encontra, de se conscientizar e erradicar a corrupção na sociedade em geral, antes de exigir isso apenas para quem tem poder político.

Percebam, por favor, que não estou defendendo os políticos corruptos, e sim dizendo que são tão errados que devemos nos mudar para que mudem também...

A sensação que mais me agrada é deitar a cabeça no travesseiro com a consciência limpa... Você deveria tentar, e pra isso é só fazer sua parte.


Layla 6